Projectos

 

Projecto Educativo

  1. INTRODUÇÃO

A elaboração do Projecto Educativo do Agrupamento de Escolas e Estabelecimentos e Ensino de Portel não foi um processo fácil nem pacífico.

Recusámos a ideia de construir um documento que fosse um mero conjunto de orientações pedagógicas, optando, pelo contrário, pela elaboração de um documento que traduzisse a nossa realidade, diferente de todas as outras, e nos conduzisse no sentido dos resultados que esperamos.

Na perspectiva de Macedo, B. (1995), as escolas como organizações têm características específicas que as diferenciam umas das outras e encerram em si potencialidades e capacidades de desenvolvimento.

Muitas vezes as dificuldades colocam-se ao nível de distinguir essa especificidade própria e até de a assumir.

Este foi, como dissemos, um processo moroso e nem sempre fácil.

Tentámos traduzir as aspirações de toda a comunidade educativa, professores, pais e pessoal auxiliar, identificando as nossas potencialidades, sem contudo deixar de olhar e equacionar as nossas limitações.

O diagnóstico feito, as prioridades de acção, a definição de estratégias de acção que potenciem os recursos existentes, foi todo um processo que envolveu os docentes em laços de cooperação, num processo de partilha de experiências e saberes, rompendo com o individualismo que, por razões de ordem histórica e cultural, tem caracterizado a classe docente.

Foi um processo que valeu por si próprio, independentemente do produto final conseguir ou não traduzir as riquezas dos processos.

Se, como diz Macedo (1995) a autonomia  é a escola conhecer-se e organizar-se com o objectivo de resolver os próprios problemas e identificar novas metas a atingir”, nós demos alguns pequenos passos nesse sentido. Podemos não conseguir resolver todos os problemas identificados, nem atingir os objectivos que traçámos, mas os momentos de reflexão que tivemos à volta das questões educativas, as divergências na discussão, as perspectivas diferentes que apresentámos, conduziu-nos a caminhos que se tornaram, por si só, irreversíveis. Olhámos as nossas práticas, olhámos a nossa Escola e aspirámos produzir mudanças.

 

As reuniões que realizámos obrigaram-nos a reflectir sobre os valores que presidem ao acto educativo, as influências interpessoais, as situações de compromisso e de negociação obrigam-nos a mudar.

Como diz António Nóvoa, “a construção do Projecto corresponde verdadeiramente a um processo lento, difícil, mas imprescindível”.

 

 

  1. DIAGNÓSTICO

 

2.1. CARACTERIZAÇÃO DO MEIO LOCAL

2.1.1.     Situação Geográfica

 

O concelho de Portel localiza-se a sul do distrito de Évora e confronta-se com os concelhos de Viana do Alentejo, Évora e Reguengos de Monsaraz, pertencentes ao mesmo distrito. Apresenta também confrontações com os concelhos de Cuba, Vidigueira e Moura, estes pertencentes ao distrito de Beja.

A sua superfície estende-se por 601,14 Km2 e integra oito freguesias: Alqueva, Amieira, Monte do Trigo, Oriola, Santana, S. Bartolomeu do Outeiro, Vera Cruz e Portel, a sede de concelho.

 

Quadro I – Situação Geográfica

2.1.2.     Caracterização histórica

Esta zona do Alentejo foi povoada em épocas remotas e apresenta vestígios das consecutivas ocupações pelos homens ao longo dos tempos.

Presume-se que a existência deste concelho data da altura da ocupação muçulmana e o nome de “Portel” ou Portela, significa “Porta Pequena”.

O terreno de Portel foi doado por D. Afonso III em 1257, ao seu mordomo-mor D. João Peres de Aboim e foi, posteriormente, edificado na vila o castelo e seu amuramento. O Foral Velho foi concedido em 1262.

Até ao reinado de D. João I, Portel foi uma povoação pequena e de pouca importância.

Com a assinatura de paz com D. Henrique III de Castela em 1393, inicia-se uma época de desenvolvimento. D. Nuno Álvares Pereira tornou-se senhor de Portel e funda a Igreja Matriz dedicada a Santa Maria.

Posteriormente passou para a casa de Bragança, sendo a vila sua ouvidoria. Em 1510, recebe novo foral outorgado por D. Manuel I.

A partir do séc. XVI Portel inicia uma fase de decadência agravada pela guerra dos anos 30.

A vila estendida aos pés da fortaleza medieval e típica conserva as ruas íngremes e tortuosas, janelas de gradeamentos férreos e alguns portais góticos e manuelinos.

 

2.1.3.     População

O Concelho de Portel tem, segundo os dados preliminares dos Censos de 2001, uma população residente de 7054 habitantes, distribuídos por oito freguesias. A densidade populacional é de 11.8 habitantes por km2, o que representa uma densidade muito baixa mesmo no contexto do Alentejo em geral (18habitantes por km2). A comparação dos dados dos Censos de 1991 com os dos Censos de 2001, demonstra um decréscimo populacional de 6.3%, o que corresponde a menos 471 habitantes, em termos absolutos.

 

 

Quadro II – POPULAÇÂO DO CONCELHO DE PORTEL POR FREGUESIAS

 

Freguesias

1991

2001

Evolução da população em termos absolutos

Alqueva

520

449

-71

Amieira

505

457

-48

Monte do Trigo

1318

1246

-72

Oriola

578

494

-84

Portel

2797

2745

-52

Santana

689

636

-53

S. B. Outeiro

688

570

-118

Vera Cruz

430

457

27

TOTAL

      7525

7054

-471

Fonte: INE, Censos 1991/2001

 

Os dados demonstram um decréscimo populacional em todas as freguesias do concelho, com excepção da Vera-Cruz, a qual registou um aumento de 27 habitantes. Por outro lado, S. Bartolomeu do Outeiro foi a freguesia que registou o maior decréscimo populacional (118 habitantes), logo seguido de Oriola (84), Monte do Trigo (72) e Alqueva (71).

 

 

Quadro III –  Área das Freguesias (2001) e Densidade populacional

 

 

Densidade Populacional (2001)

ÁREA (Km2)

Alqueva

6

75.4

Amieira

4.7

92.9

Monte do Trigo

11.8

105.4

Oriola

13.3

37.1

Portel

17

166.3

Santana

15.4

40.9

S. B. Outeiro

15.3

37.6

Vera Cruz

10.2

44.6

TOTAL

 

600.2

Fonte: INE, Censos de 2001

 

A distribuição da população por lugares, deu origem a um povoamento concentrado, típico da região Alentejo, assistindo-se à transferência da população residente em lugares pequenos, para lugares de maior dimensão.

O concelho apresenta um aumento considerável da população idosa e na redução do número de jovens, traduzido por um efeito conjugado das taxas de mortalidade e de natalidade associado aos movimentos migratórios para fora do concelho.

O quadro seguinte apresenta uma síntese da evolução da população nos últimos 30 anos.

 

Quadro IV- Índices Resumo (1960/2002)

 

Jovens

0-14

Activos

15-64

Idosos

65 e +

Índice Envelh.%

Índice

Depend.%

1960

25.6

66.1

8.3

32.6

51.3

1981

21.4

62.2

16.2

76.4

60,7

1991

17.6

62.2

20.2

114.7

69.2

2002*

17.3

58.4

24.3

140.0

71.2

*Estimativa

Fonte: INE – X; XII e XIII Recenseamentos Gerais da População, 1960, 1981, 1991.

 

 

QUADRO V População residente por grupos etários

 

POPULAÇÃO RESIDENTE %

ZONA GEOGRÁFICA

HM 

0 a 14 anos

HM

15 a 24 anos

HM

25 a 64 anos

HM

65 ou mais anos

Alqueva

12.9

10.9

43.7

32.5

Amieira

9.2

12.6

44.5

33.7

Monte do Trigo

15.6

13.4

51.7

19.4

Oriola

15.6

11.7

48.9

23.8

Portel

15.2

12.8

50.6

21.4

Santana

12.6

12.4

49.4

25.6

S. Bartolomeu do Outeiro

15.7

10.6

45.4

28.4

Vera- Cruz

13.4

14.7

45.4

26.5

TOTAL

15

13

49

24

 

 

No que respeita à estrutura etária do concelho, Portel apresenta uma predominância do grupo etário entre os 25 e os 64 anos, logo seguida pelo grupo com 65 ou mais anos, em todas as freguesias, sem excepção.

O envelhecimento demográfico do concelho é, de acordo com os dados, notório. É igualmente previsível a tendência para o aumento do número de idosos no concelho, uma vez que quase metade da população se situa no grupo etário dos 25 aos 64 anos, sendo o número de crianças e jovens 13 e 15% da população.

 

2.1.4. Nível de Instrução

No que se refere ao nível de instrução, a população do concelho caracteriza-se por baixos níveis de escolarização, e por altas taxas de analfabetismo. Segundo os dados provisórios dos Censos de 2001, a taxa de analfabetismo varia entre os 33.5% e os 18.5%, com as freguesias de Alqueva, Amieira e Santana a apresentar os valores mais altos.

Em termos absolutos, temos o grosso da população no nível habilitacional do 1º ciclo do Ensino Básico, com muito pouca representatividade do Ensino Médio e Superior.

 

           Quadro VI - Níveis de Ensino - População Residente

Zona Geográfica

Nenhum nível de Ensino

1º Ciclo E.B.

2º Ciclo E.B.

3º Ciclo

E.B.

Ensino Médio

Ensino Superior

frequenta o Ensino

Ensino

Sec.

Alqueva

128

176

69

43

0

11

59

22

Amieira

133

185

53

35

0

5

47

25

Monte do Trigo

299

449

219

136

1