Projecto Educativo
A elaboração do
Projecto Educativo do Agrupamento de Escolas e Estabelecimentos e
Ensino de Portel não foi um processo fácil nem pacífico. Recusámos a ideia de
construir um documento que fosse um mero conjunto de orientações
pedagógicas, optando, pelo contrário, pela elaboração de um
documento que traduzisse a nossa realidade, diferente de todas as
outras, e nos conduzisse no sentido dos resultados que esperamos. Na perspectiva de Macedo,
B. (1995), as escolas como organizações têm características
específicas que as diferenciam umas das outras e encerram em si
potencialidades e capacidades de desenvolvimento. Muitas vezes as
dificuldades colocam-se ao nível de distinguir essa especificidade
própria e até de a assumir. Este foi, como dissemos,
um processo moroso e nem sempre fácil. Tentámos traduzir as
aspirações de toda a comunidade educativa, professores, pais e
pessoal auxiliar, identificando as nossas potencialidades, sem contudo
deixar de olhar e equacionar as nossas limitações. O diagnóstico feito, as
prioridades de acção, a definição de estratégias de acção que
potenciem os recursos existentes, foi todo um processo que envolveu os
docentes em laços de cooperação, num processo de partilha de
experiências e saberes, rompendo com o individualismo que, por
razões de ordem histórica e cultural, tem caracterizado a classe
docente. Foi um processo que valeu
por si próprio, independentemente do produto final conseguir ou não
traduzir as riquezas dos processos. Se, como diz Macedo
(1995) a autonomia “é
a escola conhecer-se e organizar-se com o objectivo de resolver os
próprios problemas e identificar novas metas a atingir”, nós
demos alguns pequenos passos nesse sentido. Podemos não conseguir
resolver todos os problemas identificados, nem atingir os objectivos
que traçámos, mas os momentos de reflexão que tivemos à volta das
questões educativas, as divergências na discussão, as perspectivas
diferentes que apresentámos, conduziu-nos a caminhos que se tornaram,
por si só, irreversíveis. Olhámos as nossas práticas, olhámos
a nossa Escola e aspirámos produzir mudanças.
As reuniões que
realizámos obrigaram-nos a reflectir sobre os valores que presidem ao
acto educativo, as influências interpessoais, as situações de
compromisso e de negociação obrigam-nos a mudar. Como diz António Nóvoa,
“a
construção do Projecto corresponde verdadeiramente a um processo
lento, difícil, mas imprescindível”.
2.1.
CARACTERIZAÇÃO DO MEIO LOCAL
2.1.1.
Situação
Geográfica
O
concelho de Portel localiza-se a sul do distrito de Évora e
confronta-se com os concelhos de Viana do Alentejo, Évora e Reguengos
de Monsaraz, pertencentes ao mesmo distrito. Apresenta também
confrontações com os concelhos de Cuba, Vidigueira e Moura, estes
pertencentes ao distrito de Beja. A sua superfície
estende-se por 601,14 Km2 e integra oito freguesias:
Alqueva, Amieira, Monte do Trigo, Oriola, Santana, S. Bartolomeu do
Outeiro, Vera Cruz e Portel, a sede de concelho.
Quadro
I – Situação
Geográfica
2.1.2.
Caracterização
histórica Esta
zona do Alentejo foi povoada em épocas remotas e apresenta vestígios
das consecutivas ocupações pelos homens ao longo dos tempos. Presume-se
que a existência deste concelho data da altura da ocupação
muçulmana e o nome de “Portel” ou Portela, significa “Porta
Pequena”. O terreno de Portel foi
doado por D. Afonso III em 1257, ao seu mordomo-mor D. João Peres de
Aboim e foi, posteriormente, edificado na vila o castelo e seu
amuramento. O Foral Velho foi concedido em 1262. Até ao reinado de D.
João I, Portel foi uma povoação pequena e de pouca importância. Com a assinatura de paz
com D. Henrique III de Castela em 1393, inicia-se uma época de
desenvolvimento. D. Nuno Álvares Pereira tornou-se senhor de Portel e
funda a Igreja Matriz dedicada a Santa Maria. Posteriormente passou
para a casa de Bragança, sendo a vila sua ouvidoria. Em 1510, recebe
novo foral outorgado por D. Manuel I. A partir do séc. XVI
Portel inicia uma fase de decadência agravada pela guerra dos anos
30. A vila estendida aos pés
da fortaleza medieval e típica conserva as ruas íngremes e
tortuosas, janelas de gradeamentos férreos e alguns portais góticos
e manuelinos.
2.1.3.
População O Concelho de Portel tem,
segundo os dados preliminares dos Censos de 2001, uma população
residente de 7054 habitantes, distribuídos por oito freguesias. A
densidade populacional é de 11.8 habitantes por km2, o que
representa uma densidade muito baixa mesmo no contexto do Alentejo em
geral (18habitantes por km2). A comparação dos dados dos
Censos de 1991 com os dos Censos de 2001, demonstra um decréscimo
populacional de 6.3%, o que corresponde a menos 471 habitantes, em
termos absolutos.
Quadro
II – POPULAÇÂO DO
CONCELHO DE PORTEL POR FREGUESIAS
Fonte:
INE, Censos 1991/2001
Os dados demonstram um
decréscimo populacional em todas as freguesias do concelho, com
excepção da Vera-Cruz, a qual registou um aumento de 27 habitantes.
Por outro lado, S. Bartolomeu do Outeiro foi a freguesia que registou
o maior decréscimo populacional (118 habitantes), logo seguido de
Oriola (84), Monte do Trigo (72) e Alqueva (71).
Quadro
III – Área das Freguesias (2001)
e Densidade populacional
Fonte:
INE, Censos de 2001
A distribuição da
população por lugares, deu origem a um povoamento concentrado,
típico da região Alentejo, assistindo-se à transferência da
população residente em lugares pequenos, para lugares de maior
dimensão. O concelho apresenta um
aumento considerável da população idosa e na redução do número
de jovens, traduzido por um efeito conjugado das taxas de mortalidade
e de natalidade associado aos movimentos migratórios para fora do
concelho. O quadro seguinte
apresenta uma síntese da evolução da população nos últimos 30
anos.
Quadro
IV- Índices Resumo
(1960/2002)
*Estimativa Fonte: INE – X; XII e
XIII Recenseamentos Gerais da População, 1960, 1981, 1991.
QUADRO
V População residente por grupos etários
POPULAÇÃO
RESIDENTE %
No que respeita à
estrutura etária do concelho, Portel apresenta uma predominância do
grupo etário entre os 25 e os 64 anos, logo seguida pelo grupo com 65
ou mais anos, em todas as freguesias, sem excepção. O envelhecimento
demográfico do concelho é, de acordo com os dados, notório. É
igualmente previsível a tendência para o aumento do número de
idosos no concelho, uma vez que quase metade da população se situa
no grupo etário dos 25 aos 64 anos, sendo o número de crianças e
jovens 13 e 15% da população.
2.1.4.
Nível de Instrução No que se refere ao
nível de instrução, a população do concelho caracteriza-se por
baixos níveis de escolarização, e por altas taxas de analfabetismo.
Segundo os dados provisórios dos Censos de 2001, a taxa de
analfabetismo varia entre os 33.5% e os 18.5%, com as freguesias de
Alqueva, Amieira e Santana a apresentar os valores mais altos. Em termos absolutos,
temos o grosso da população no nível habilitacional do 1º ciclo do
Ensino Básico, com muito pouca representatividade do Ensino Médio e
Superior.
Quadro VI - Níveis de Ensino -
População Residente
2.1.5.
Emprego e Actividades Económicas Em 1981, o concelho de
Portel é predominantemente agrícola, sendo o sector primário o mais
relevante na totalidade das freguesias, à excepção de Portel. A superfície agrícola
é constituída principalmente por terra arável (84%), por terras com
culturas permanentes que diminuíram de superfície ocupada (10%) e
terras com prados e pastagens permanentes (6%). As principais culturas
temporárias são os cereais, fava, grão e as culturas forrageiras. O
olival e a vinha são as culturas permanentes mais significativas. A
actividade pecuária regista um predomínio de ovinos e caprinos. O sector secundário tem
maior representatividade em Portel (18,5%) e Oriola (15%) onde existe
uma fábrica de enchidos com cerca de 40 trabalhadores. Devido
principalmente à construção e às obras públicas, este sector
apresentava uma maior dinâmica de crescimento. O sector terciário
assume maior relevância em Portel (37%) devido sobretudo aos
serviços de administração inerentes à sede de concelho, ao ensino
e ao comércio em geral. Em 1991 o rácio bruto de
desemprego é da ordem dos 18,31%. Desde 1981 a 1991 não se
verificaram alterações em relação à apreciação quantitativa das
pessoas que têm uma actividade. Por exemplo, a maior percentagem dos
desempregados continuam a ser do sexo feminino. O trabalho por conta
própria na totalidade dos sectores assume 14,5%, enquanto que os
trabalhadores por conta de outrem 74%. Verifica-se uma
alteração desde 1991 no peso dos sectores económicos, transitando
do sector primário para o sector terciário em 1999. Sector
Primário – agricultura, pecuária, exploração florestal, absorve
17% da população activa. Sector Secundário -
construção civil, indústria transformadora, absorve 26% dos
activos. Sector Terciário –
Prestação de serviços à colectividade, comércio, absorve 57% dos
activos. Portel
(concelho) tem a maior taxa de Desemprego do Alentejo – 24,4% e em
comparação com os 18,8% que é a média de desemprego feminino.
2.1.6.
Equipamentos Colectivos – Cultura e Recreio. Portel
destaca-se em relação às restantes freguesias. Possui uma maior
cobertura a nível de equipamentos colectivos, não só em termos de
relação unidades existentes/população servida, mas também em
termos de acessibilidade a esses equipamentos. A maior parte das
freguesias tem um peso funcional muito baixo apresentando um menor
número e menor variedade de funções centrais públicas. Na maior
parte dos lugares predomina o comércio alimentar (mercearias/mini-mercados
e cafés). No que se refere à
cultura e recreio em 1990, entrou em funcionamento o Centro Cultural
de Portel. A nível desportivo
podemos também contar neste concelho com campos de futebol,
polidesportivos, um complexo de piscinas de água fria e uma piscina
coberta de água quente. Também as diferentes
freguesias possuem associações artísticas e recreativas.
2.1.7.
Educação No
sector da Educação, descrevemos as infra-estruturas existentes:
¨
Pré – Escolar: No
concelho de Portel verifica-se a existência de 7 Jardins de Infância
da Rede Pública e 2 I.P.S.S. onde funcionam em cada Jardins de
Infância e Creche (Monte do Trigo e Portel).
¨
Ensino Básico Existem
8 estabelecimentos de ensino do 1º Ciclo distribuídos por todas as
freguesias do concelho. Quanto ao 2º Ciclo, a
Escola EB 2,3 D. João de Portel e os 3 postos de Ensino Básico
Mediatizado que funcionam em Alqueva, Monte do Trigo e S. Bartolomeu
do Outeiro, cobrem as necessidades do concelho. O 3º Ciclo é assegurado
também pela EB2,3. O Ensino Secundário
(profissional) pela EPRAL (Pólo de Portel). Finalmente, a Educação
Recorrente abrange os 3 ciclos de Ensino no concelho.
2.2.
Agrupamento de
Escolas e Estabelecimentos de Ensino do Concelho de Portel-
Caracterização
2.2.1.
Edifícios/Equipamento Os
Estabelecimentos de Ensino de 1º ciclo funcionam em edifícios tipo
“ Plano dos Centenários “, com excepção de Portel, que está
distribuído por 2 edifícios : um “ Plano dos Centenários “ e
outro “ Outros tipos “. Os
Estabelecimentos de Educação Pré – Escolar funcionam em
instalações próprias, Alqueva, Amieira, Vera- Cruz, Oriola e S.
Bartolomeu do Outeiro, funcionando os restantes em instalações
adaptadas para o efeito como sejam os Jardins de Infância de Santana
e Portel. Para
além das salas de aula, a maior parte dos Estabelecimentos de Ensino
do Agrupamento não têm outros espaços de apoio (bibliotecas,
mediateca, convívio de alunos, docentes, pessoal auxiliar, órgãos
de gestão...). Na
freguesia de Portel, funciona desde 1993 um Centro de Recursos para
todo o Agrupamento. Está equipado com material pedagógico e
didáctico, incluindo-se o equipamento pertencente aos Apoios
Educativos, que se encontra disponível para atender às necessidades
existentes a este nível em todas as freguesias. No
que se refere aos recursos materiais, pedagógicos e didácticos,
houve no último ano lectivo um grande investimento em todos os
estabelecimentos de ensino no concelho, a saber: -
quase todos os estabelecimentos de ensino possuem rádios e gravador,
e alguns projectores de slides manuais. -
Todas as localidades estão equipadas com um fax (com excepção de
Portel), scanner, webcam e máquina fotográfica digital. -
Todas as salas de aula, de todos os graus de ensino estão equipadas
com um computador, com excepção de duas salas em Portel. Os
computadores existentes estão ligados à Internet, com excepção do
computadores existentes nos Jardins de Infância de Alqueva, Amieira e
Vera- Cruz. -
Todos os estabelecimentos de ensino estão equipados com televisão e
vídeo.
Não
existem campos de jogos, nem balneários, nem recreios cobertos (a
não ser nas escolas de Alqueva, Portel ex-feminina e Monte do Trigo). O
estado de conservação dos edifícios é razoável, necessitando
alguns de obras urgentes, no que diz respeito a carpintaria (soalhos,
portas, janelas), canalização e electricidade.
2.2.2.
Componente de Apoio à Família As
transformações sociais dos últimos anos conduziram a mudanças
profundas no seio das famílias. Por um lado verifica- se uma
crescente procura do mercado de trabalho por parte das mães, sendo
patente por outro lado a
idade cada vez mais avançada dos avós, o que de alguma forma os
impossibilita de substituir os pais junto das crianças.
Em termos práticos esta realidade
leva- nos a
vivenciar, num meio rural, a
mesma problemática dos grandes centros urbanos, em que predomina a
família nuclear e os pais das crianças estão ambos no mercado de
trabalho. Conscientes
desta problemática sentimos que os horários praticados nas Escolas e
Jardins de Infância não dão resposta à maioria das famílias, o
que nos leva a perspectivar o fornecimento de almoços e a ocupação
de tempos livres de todas as crianças dos estabelecimentos
de ensino do agrupamento, como uma das nossas principais
prioridades em termos do Projecto Educativo.
2.2.3.
Transportes Escolares
2.2.4.
Pessoal Docente e Não Docente No
que respeita ao pessoal que
exerce funções docentes no agrupamento, a distribuição por
freguesias e graus de ensino é a seguinte:
PESSOAL
DOCENTE EM EXERCÍCIO
*
Os dois professores trabalham na mesma sala, em regime de
corresponsabilização. a)-
O apoio nesta escola é dado, a tempo parcial, por uma das
professoras de apoio educativo colocada em Portel.
No
que diz respeito à situação profissional dos docentes a situação
no ano lectivo 2003/ 2004 é a seguinte:
PESSOAL
DOCENTE- SITUAÇÃO PROFISSIONAL
PESSOAL NÃO
DOCENTE- SITUAÇÃO
PROFISSIONAL
a)-
1 assistente de administração escolar; b)-
Chefe dos Serviços Administrativos, 1 Assistente Principal, 1
Assistente Ad. Escolar.
2.2.5.
POPULAÇÂO DISCENTE- Ano Lectivo 2003/2004
2.2.6.
RETENÇÃO ESCOLAR
3.
A
PROBLEMÁTICA “Não
há ventos favoráveis para quem não sabe que direcção tomar”
Fazer
com que todos os alunos acedam ao currículo nacional é, obviamente,
a primeira e grande preocupação do nosso Agrupamento, bem como,
estamos em crer, de todos os agrupamentos e Escolas do País. Os constrangimentos que
nos limitam a acção, os recursos de que dispomos, e os que
necessitamos ainda de cativar, as metas e prioridades que
estabelecemos, que em grande parte são condicionadas pela nossa
realidade, são a marca que nos diferencia de outros contextos
educativos, e que dão origem a um Projecto Educativo que queremos
seja o reflexo da nossa identidade. Para que o trabalho a
desenvolver se enquadre efectivamente na realidade que é a nossa, e
para que a resposta educativa seja a mais eficaz, procurámos fazer um
diagnóstico sério e que fosse o reflexo das verdadeiras necessidades
dos alunos, face aos grandes objectivos educativos nacionais, bem como
o reflexo do sentir dos profissionais de educação, auxiliares de
acção educativa e famílias. Neste sentido procurámos
fazer uma análise cuidada dos resultados das Provas Aferidas dos
alunos, nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, tentando
identificar as suas maiores dificuldades. Auscultámos
os professores, auxiliares de acção educativa e pais, no que
respeita à forma como vivem a profissão (professores e auxiliares),
que dificuldades identificam na sua prática diária, e ao nível
geral do funcionamento do agrupamento. No que diz respeito aos pais
tentámos perceber como percepcionam a sua relação com a Escola,
o papel que gostariam de desempenhar no cenário educativo e os
obstáculos que identificam à sua participação na vida da escola. A problemática que
apresentamos procura ser o retrato, tão fiel quanto possível, da
realidade que estamos a vivenciar, certos de que, com uma acção
concertada ao nível do papel de todos os intervenientes, será
possível, a breve trecho, inverter alguns processos, e introduzir
melhorias no funcionamento do agrupamento em geral, e em cada
estabelecimento de ensino em particular.
No que diz respeito aos
desempenhos escolares dos alunos, nas disciplinas de Língua
Portuguesa e Matemática, as maiores dificuldades são as seguintes:
-
Dificuldades ao nível da
compreensão da leitura, que se traduzem na utilização de paráfrases e na compreensão inferencial da
mensagem.
-
Dificuldades ao nível da
produção de textos, no que respeita à utilização do vocabulário
que é pobre e pouco diversificado, à pouca diversificação de textos produzido pelos alunos e à utilização da
pontuação.
-
Dificuldades ao nível da
resolução de problemas não rotineiros, na explicitação de
raciocínios e estratégias exploratórias de resolução de
problemas, bem como nas questões geométricas e capacidades de
visualização e estudo de formas e espaço. Para além destes
aspectos, de carácter académico, são apresentadas pelos professores
outro tipo de dificuldades que se prendem com o cumprimento de regras
e de normas de convivência social, para além de ausência de valores
e de respeito pelos outros.
No que respeita à
prática pedagógica as maiores dificuldades sentidas pelos
professores prendem-se com :
-
Operacionalização da
diferenciação pedagógica, com predomínio de metodologias mais
centradas no professor, em detrimento de uma participação mais
activa do aluno;
-
Alguma sobrevalorização dos
manuais escolares, face a outros recursos pedagógicos;
-
Alguma dificuldade na ligação
entre a Matemática e outras áreas do currículo;
-
Dificuldades em operacionalizar as
competências matemáticas, no que respeita à resolução de
problemas e à estatística;
-
Alguma desconhecimento dos
currículos do pré- escolar por parte dos professores, e do 1º ciclo
por parte das educadoras.
No
que concerne às questões organizacionais do Agrupamento os problemas
diagnosticados relacionam-se com :
-
A Formação que é desadequada
face às necessidades reais dos docentes;
-
A articulação/ cooperação entre
os docentes do agrupamento que é considerada insuficiente;
-
A gestão dos recursos materiais
que não é ainda feita convenientemente;
-
As Escolas que ainda estão mal
equipadas;
-
A falta de articulação entre o
Agrupamento e a Escola EB 2/3;
-
A formação das Auxiliares de
Acção Educativa que é insuficiente;
No
que respeita aos pais e encarregados de educação os principais
problemas apresentados relacionam-se com :
-
Pouca articulação entre a Escola/
Família;
4.
PRINCÍPIOS
ORIENTADORES Como princípios
norteadores da acção educativa
elegemos os seguintes: - Assume-se plenamente o
princípio estabelecido na LBSE (nº3 do artº 45º) e no DL 115/A/98
(nº1 do artº 4º) segundo o qual, na gestão dos agrupamentos, devem
prevalecer os critérios de natureza pedagógica e científica em
detrimento dos critérios de natureza administrativa; -
Adopta-se uma perspectiva de gestão orientada para a
prestação de um serviço público, segundo a qual o aluno é o
destinatário final do processo,
sobrepondo-se o seu interesse e das famílias a qualquer
interesse particular, ou
de grupo, dos funcionários. - Defende-se um
liderança estratégica cujos princípios são: a)- Identificação clara
dos objectivos/metas a atingir, deixando espaço para percursos
diversificados para as escolas; b)- Envolver todo o
pessoal docente e não docente no processo de tomada de decisão; c)- Envolver a comunidade
educativa na dinâmica do agrupamento; d)- Dotar as escolas de
um conjunto de recursos materiais que lhes permita adoptar dinâmicas
inovadoras para a consecução dos objectivos em vista; e)- Rentabilizar e
partilhar os recursos existentes em todo o Agrupamento;
5.
PROJECTO
DE INTERVENÇÃO
5.1.
Objectivos
Gerais O
presente Projecto Educativo procura, em consonância com os
princípios orientadores previamente definidos, atingir os objectivos
gerais seguintes: -
Adequar a prática educativa às necessidades dos diferentes alunos,
no que respeita ao seu maior envolvimento no processo de ensino/
aprendizagem, à construção da sua autonomia e responsabilização; -
Adequar/ flexibilizar o currículo de forma a instituir na sala de
aula práticas pedagógicas contextualizadas e significativas para os
alunos; -
Promover o Ensino Experimental na sala de aula; -
Promover o desenvolvimento de competências de raciocínio lógico-
matemático, de investigação, de formação de conceitos; -
Fomentar nos alunos o gosto pela leitura e pela escrita; -
Contribuir para a formação pessoal e social do aluno,
facultando-lhe, em contexto, a
aprendizagem
das regras e valores democráticos. -
Promover o desenvolvimento dos alunos no que respeita ao espírito de
iniciativa, organização, autonomia, pensamento crítico; -
Envolver as famílias na vida da Escola, nomeadamente no que respeita
aos processos de ensino/ aprendizagem e ao nível dos processos
globais de decisão; -
Fomentar laços de cooperação e de trabalho em equipa entre os
docentes, instituindo espaços de troca de experiências e de saberes; -
Centrar a formação no Agrupamento, procurando dar resposta às
necessidades dos docentes, e numa perspectiva de resolução de
problemas identificados na prática; -
Estabelecer elos de ligação com as Autarquias, estabelecendo
protocolos e parcerias no sentido de instituir intervenções
consertadas;
5.2.
Propostas
de Intervenção
Face
à problemática identificada, e após ampla discussão que envolveu
todos os docentes, foi decidido privilegiar as acções que a seguir
enumeraremos, as quais serão devidamente operacionalizadas e
calendarizados os seus “timings” no Plano de Actividades do
Agrupamento.
No
que respeita ao domínio das Aprendizagens/ Competências
dos alunos, as
propostas de resolução são as seguintes:
-
Continuar a promover e incentivar nos alunos o gosto pela leitura;
-
Dinamizar as Bibliotecas escolares;
-
Dinamizar o Jornal Escolar envolvendo mais os alunos;
-
Envolver os pais em processos de dinamização da leitura
-
Privilegiar as aprendizagens funcionais, significativas e
contextualizadas;
-
Promover a autonomia dos alunos;
-
Promover a utilização das Tecnologias Informação e Comunicação;
-
Dinamizar a correspondência inter- escolas;
-
Direccionar o ensino da
matemática para a resolução de problemas numéricos e não
numéricos;
-
Desenvolver nos alunos o raciocínio lógico permitindo-lhes a
discussão e explicitação de estratégias de resolução de
problemas;
-
Estabelecer maior ligação entre a Matemática e outras áreas do
currículo; -
Dinamizar as Assembleias de turma no sentido de definir regras de
funcionamento na sala de aula e no espaço escolar, em conjunto com os
alunos; analisar e discutir com os alunos os seus direitos e deveres;
estabelecer contractos com os alunos e, por último, articular regras
e procedimentos entre o pessoal docente e não docente, no sentido de
promover uma actuação consertada e consistente.
No
que se refere ao domínio da Prática Pedagógica
são as seguintes as acções delineadas:
-
Promover a Formação participada e centrada no Agrupamento;
-
Promover Acções de Formação (oficinas ou cursos) sobre temáticas
a definir previamente com os docentes;
-
Promover reuniões de trabalho entre docentes, nos Conselhos de
Docentes e de Núcleo, para partilha de experiências e troca de
materiais;
-
Observação de práticas pedagógicas inovadoras;
-
Promover a articulação entre docentes do 1ºCiclo e Pré- escolar no
sentido de um maior conhecimento dos currículos;
-
Articulação entre docentes do 1ºe 2º ciclos para proceder à
articulação vertical dos currículos.
No
que se refere às questões de ordem organizacional do
agrupamento foram as seguintes as propostas de
intervenção, acção:
-
Centrar as Acções de Formação no Agrupamento em face das
necessidades reais dos docentes;
-
Institucionalizar espaços e tempos de trabalho cooperativo entre os
docentes, para troca de experiências e produção de materiais;
-
Dinamizar/ rentabilizar os materiais existentes no Centro de Recursos;
-
Criar pequenos Centros de Recursos nas escolas e ou Jardins de
Infância;
-
Inventariar materiais existentes no centro de recursos
e divulgá-los pelos diferentes estabelecimentos de ensino do
agrupamento;
-
Estabelecer protocolos com Instituições Locais, Câmara, Centro de
Saúde, Bombeiros, etc;
-
Promover reuniões com as Autarquias Locais (Câmara e Juntas de
Freguesia);
-
Sensibilizar as entidades competentes para a importância do
embelezamento dos espaços exteriores das Escolas e Jardins;
-
Promover reuniões periódicas com a EB 2/3 e formalizar formas de
contacto e de articulação para: participação dos professores do
1º ciclo na constituição de turmas o 2º ciclo, troca de
informações sobre os alunos em geral, e os alunos com N.E.E. em
particular, gestão dos espaços conjuntos, articulação vertical dos
currículos;
-
Promover a formação das auxiliares de acção educativa nomeadamente
no que diz respeito ao seu papel na Escola, as suas competências,
relação pedagógica, indisciplina e animação dos recreios.
No
que diz respeito à participação dos pais na
vida da Escola decidiu-se:
-
Realizar acções de sensibilização aos pais, ao nível de cada
Núcleo ou Escola, sobre o seu papel na Escola e na Educação dos
filhos; -
Dar conhecimento aos pais dos Planos de Actividades e dos Projectos
Curriculares de Turma;
-
Sensibilizar as famílias para a importância dos hábitos de leitura
dos filhos;
-
Incentivar e apoiar a criação da Associação de Pais;
-
Promover actividades que envolvam as famílias na vida da Escola :
festas, reuniões, testemunhos profissionais de vida.
6.
REFLEXÕES
CONCLUSIVAS
Não
há efectivamente ventos favoráveis para quem não sabe que rumo
seguir, mas há muitas vezes percalços e constrangimentos face ao
rumo que traçamos. Neste
sentido este Projecto Educativo, que nos conduzirá durante mais dois
anos, será um Projecto flexível, norteando a nossa intervenção é
certo, mas dando-nos, em simultâneo, algum espaço de manobra para
adaptar a nossa intervenção à realidade que nos cerca. Muitas
vezes, sabemo-lo também, o caminho mais curto entre dois pontos não
é a linha recta, e quantas vezes para chegar ao destino precisamos de
voltar atrás e seguir um atalho. Dissemos
anteriormente que o processo de elaboração deste documento foi um
processo riquíssimo pelas trocas e debates que propiciou, não
exageraremos se dissermos que a própria construção do documento se
constituiu por si só como um processo de mudança. Acreditamos que o
levar a bom porto as intenções que ora delineámos, será concerteza
um processo de mudança irreversível, apesar de todos os
desentendimentos e constrangimentos que o caminho nos reservar.
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